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Em São Paulo, consumidores resistem a cobrança por sacolas plásticas


Grandes redes de supermercado voltaram a cobrar pela distribuição das sacolinhas plásticas na capital paulista nesta segunda-feira, 13. Obrigatória desde abril, as novas sacolas, feitas com material renovável para substituir a branca tradicional  mais agressiva ao meio ambiente, causam polêmica e são motivos até de disputas judiciais. Agora, também viraram alvo dos consumidores, incomodados com o retorno da cobrança. No Carrefour, Pão de Açúcar e Extra, as sacolinhas voltaram a ser vendidas por R$ 0,08 nesta manhã, após passarem o fim de semana sem ser cobradas. Isso porque o prazo do acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (Apas) e a Fundação Procon de São Paulo para distribuição gratuita de até duas sacolinhas acabou na sexta-feira, 10, deixando a critério das lojas decidirem sobre a cobrança. Entre os consumidores, a cobrança encontrou muita resistência. “Acho um absurdo porque o valor já está embutido no preço do produto. O cliente que termina pagando duas vezes", afirma o produtor rural Eduardo Wiziack, de 59, que foi ao supermercado e saiu com duas sacolinhas, ao custo de R$ 0, 16.A dona de casa Helena Tavares, de 86 anos, também é contrária à cobrança. “Para as lojas termina sendo um lucro a mais. As sacolas deveriam ser distribuídas gratuitamente, mas a gente termina aceitando a cobrança", diz. “Se fossem essas sacolas maiores, com um material muito mais caro, tudo bem. Mas essa aqui? “Em nota, as redes Pão de Açúcar e Extra afirmam que cobram o preço de custo por unidade, incentivam o uso consciente e oferecem pontuação extra nos seus programas de fidelidade para quem usar sacolas reutilizáveis. O Carrefour diz que segue recomendações feitas pela Apas e que reduziu em 50% o valor das ecobags, as sacolas retornáveis, que passaram a ser vendidas por R$ 1,99. As lojas também afirmam que vão manter desconto para clientes que utilizam embalagens próprias. Por causa da cobrança, os consumidores também procuram meios para driblar o uso das novas sacolinhas. "Sempre quando posso, ponho as compras na mochila", afirma o técnico em edificações Erick Rist, de 25 anos. “Fiz uma sacola usando o pano de sacos de farinha de trigo. Só vou usar as novas sacolinhas para compras menores", conta a funcionária pública Roseli Pereira, de 56 anos. Nem todos, no entanto, se opõem à decisão das lojas de não distribuir gratuitamente. “Acho que tem de cobrar, como se faz no mundo inteiro. O brasileiro está muito acostumado a não pagar por nada. As sacolas antigas não eram tão boas quanto essas novas", diz a decoradora Stella Pernet. Gratuito Apesar de a cobrança ser permitida, algumas redes de supermercado resolveram continuar distribuindo gratuitamente as sacolas plásticas. Entre elas está o Mambo, que tem seis unidades em São Paulo. “Preferimos absorver os custos das sacolinhas para preservar o relacionamento com o cliente. Percebemos a insatisfação do consumidor quanto a ter que adquirir as sacolas plásticas", afirma o André Nassar, diretor de Negócios dos Supermercados Mambo. Segundo afirma, as novas sacolinhas são mais caras do que as anteriores, mas não o suficiente para forçar o supermercado aumentar o preço das mercadorias. “Nós não repassamos nem temos a intenção de repassar esse custo aos nossos clientes. Não faria sentido a gente optar por absorver o custo para preservar o relacionamento com nossos clientes e aumentar o preço dos produtos”. Duas cores por determinação da Prefeitura de São Paulo, a tradicional sacolinha branca deve ser substituída por outra, disponível em duas cores: verde para recolher materiais recicláveis e cinza para resíduos orgânicos. O objetivo é incentivar a separação desses dois materiais para ajudar a preservar o meio ambiente. Quem não cumprir a lei poderá receber multa de R$ 500 a R$ 2 milhões. Já o consumidor que não seguir as determinações, como descartar restos de comida na sacola verde, será advertido na primeira ocorrência. Se fizer de novo, pode pagar multa de R$ 50 a R$ 500.

FONTE: WWW.ABIEF.COM.BR




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