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Pesquisador da USP estuda uso de plástico de painéis solares na retina


Uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos e o Politecnico di Milano está proporcionando descobertas que, no futuro, poderão beneficiar pacientes com doenças degenerativas na retina. Os pesquisadores descobriram que o polímero politiofeno, usado em placas solares, funciona também na água e em olhos de animais

Segundo Paulo Barbeitas Miranda, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC-USP), os italianos estudam o material há anos e, em 2013, um aluno de doutorado de lá veio para o Brasil para realizar experimentos específicos. Começava a parceria.

“Esses materiais vêm sendo usados há muitos anos para células solares, eles absorvem muita luz e produzem cargas elétricas. Eles tiveram a ideia de ver se essa separação de carga ocorreria na água e viram que é possível deixar esse material imerso e disparar o funcionamento do neurônio”, contou.

Miranda afirmou que estudos sobre a aplicação de polímeros na retina, onde o estímulo luminoso é transformado em estímulo nervoso, são novidade e que, a princípio, os pesquisadores analisaram a absorção da luz e a comunicação com os neurônios, “os cabos elétricos do nosso corpo”.

Eles dispuseram o politiofeno em um suporte biocompatível e realizaram testes em ratos e porcos. “Há uma cegueira induzida, eles implantam e avaliam se há a sensibilidade à luz, e os estudos preliminares mostram que sim”, contou.

 

Outra vantagem do material, explicou o professor, é a maleabilidade. “O fato de ser flexível é importante. O olho é redondo, o material tem que se moldar, não seria possível com placas de silício, por exemplo”, disse, reforçando que ainda há um caminho a ser percorrido.

Percurso
“Tem uma tecnologia a ser desenvolvida para ser mais durável e mais seguro. Ele precisa ser testado exaustivamente em animais e, uma vez comprovado, há os testes em voluntários com autorização das agências avaliadoras”, pontuou. “São passos caros e demorados, mas a potencialidade é grande”.

A intenção, ao final, é chegar a um filme fino, capaz de ser depositado na retina em casos de degeneração de fotorreceptores. “Vai substituir a parte que absorve a luz, não a parte neurológica”, adiantou.

“Do ponto de vista científico, há desafios: estudar o processo de comunicação elétrica entre o polímero e os neurônios, aprender a conectar melhor os dois, desenhar outros polímeros, projetar outros materiais”.

 

FONTE: g1.globo.com/




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